Como criar um convite de casamento
Estilo, tipografia, cor e fotografias: como construir um convite que se lê bem no telemóvel e combina com o próprio casamento. E os pormenores que estragam o resultado.
·6 min de leitura
O design não começa por um tipo de letra ou uma cor. Começa por responder a que casamento é este. Uma cerimónia civil para dez pessoas seguida de jantar num restaurante faz com que monogramas e dourados pareçam emprestados de outro sítio. Uma cerimónia ao ar livre num campo tem o mesmo efeito com uma moldura clássica carregada. O convite é a primeira coisa que diz ao convidado para onde vai e como se deve vestir, e qualquer desencontro nota-se.
Um só estilo para tudo
O erro mais visível é desenhar o convite isolado do resto. Depois os marcadores de lugar nas mesas saem numa cor diferente, a sinalética da sala num tipo de letra diferente, e a impressão de conjunto desfaz-se, mesmo que cada peça seja bonita por si só.
É mais fácil partir do local e da paleta. Duas ou três cores tiradas de coisas que já sabem que vão estar lá: a toalha de mesa, o verde das plantas, a madeira, a cor do vestido. O convite faz-se nessas cores, e depois seguem-se as ementas, o plano de mesas e os números das mesas. É um dos raros casos em que uma limitação poupa tempo: não estão a escolher do zero de cada vez.
Tipos de letra: dois, no máximo três
A combinação que resulta é um tipo de letra decorativo para os nomes e a data, e um tipo de letra discreto para tudo o resto. Um terceiro só aparece se precisarem de um destaque, como o número de uma mesa. Mais do que isso lê-se como um cartão de aniversário feito num processador de texto dos anos noventa.
Uma nota sobre os tipos de letra cursivos: ficam lindos num nome e são completamente ilegíveis numa morada ou numa hora. Se o convidado tiver de franzir os olhos para distinguir 16h00 de 17h00, o convite não está a cumprir a sua função. A regra é simples: tudo o que tem de ser memorizado e não pode ser mal lido escreve-se num tipo de letra simples.
Fotografias
Uma fotografia é opcional, mas torna o convite mais caloroso — o convidado vê-vos a vocês, não um ornamento abstrato. O que resulta são fotografias onde as caras se veem bem e há espaço à volta: dá para as recortar para caber em qualquer bloco. O que não resulta são fotos escuras tiradas num restaurante, fotos com desconhecidos ao fundo e capturas de ecrã tiradas de uma conversa.
Se ainda não fizeram uma sessão fotográfica, isso não é impedimento nenhum. Uma boa foto horizontal tirada com o telemóvel na capa já chega. Pior é meter lá seis fotos medíocres: isso faz uma galeria, não um convite.
O texto importa mais do que a decoração
O convidado abre o convite com uma única pergunta: quando, onde e o que vai acontecer com ele. Por isso o texto vem primeiro — data, hora de chegada, morada, o programa, o prazo para responder — e só depois o design se constrói à volta disso. Ao contrário, fica uma página bonita e as pessoas continuam a mandar mensagem em privado a perguntar a que horas devem chegar.
O que o texto precisa de conter e por que ordem está explicado no artigo sobre o que deve constar num convite de casamento, e fórmulas prontas estão na nossa coletânea de texto do convite de casamento.
Vão ver isto no telemóvel
Quase todos os convidados vão abrir o convite numa aplicação de mensagens, de pé, algures no metro. Por isso verifiquem o design no telemóvel, não num monitor grande onde tudo parece sempre bem.
- Texto pequeno sobre uma fotografia é ilegível num ecrã pequeno — aumentem o tamanho ou ponham-no sobre um painel.
- Um nome de local comprido não deve partir-se a meio da palavra em duas linhas.
- Transformem a morada num link para o mapa: o convidado toca uma vez e vê o percurso.
- O botão de resposta deve ficar ao alcance do polegar, não escondido lá em baixo numa linha minúscula.
Pormenores que estragam o resultado
- Cinco tamanhos de texto diferentes no mesmo ecrã — o olhar não tem onde se fixar.
- Texto esticado de ponta a ponta sem margens: a linha fica mais comprida do que é confortável de ler.
- Uma frase inteira em maiúsculas — parece um aviso público, não um convite.
- Emojis num texto formal, quando o resto do convite é sóbrio.
- Formatos de data inconsistentes: «12 de setembro» num sítio e «12.09.2026» noutro.
Uma verificação antes de enviar
Mostrem o convite a alguém que não sabe nenhum dos detalhes — uma amiga que não esteja envolvida na organização, por exemplo. Se ela conseguir dizer a data, a hora e o local logo na primeira leitura e perceber que se espera uma resposta da parte dela, o design está pronto. Se tiver de perguntar outra vez, é o texto que precisa de ser corrigido, não a imagem.
Uma última coisa: reparem em como o próprio link aparece na aplicação de mensagens antes de alguém o abrir. Uma pré-visualização com uma foto e os vossos nomes é aberta visivelmente mais vezes do que uma morada nua.
Modelos prontos para diferentes tipos de casamento estão reunidos no catálogo de modelos — podem mudar as cores e os tipos de letra para os ajustar à vossa própria paleta.
Só falta o convite
Escolhe um modelo, coloca as tuas próprias palavras e envia aos convidados um link pessoal. Gratuito e sem registo.